Economia Rondônia Competitiva
Gasolina em Porto Velho dispara após sequência de quedas e volta aos R$ 7,00
“Eu abasteci na semana passada por R$ 5,60 e agora já está quase R$ 7,00. Fica difícil planejar qualquer economia”
16/09/2025 23h06
Por: Guilherme Giacon
Fonte: Divulgação

Após semanas de queda, com a gasolina sendo encontrada por até R$ 5,60 em alguns postos de Porto Velho, o preço voltou a saltar de forma abrupta e já aparece por R$ 6,99 em estabelecimentos da capital — um aumento superior a R$ 1,00 em apenas sete dias. O movimento surpreende quem vinha comparando preços entre postos e vinha sendo usado como argumento para o fim da escalada inflacionária nos combustíveis.

Relação de Preços da Gasolina em Porto Velho(verde) e Rondônia toda (pontilhado) até antes dessa subida vertiginosa

Fonte: Sidiec/RO

O que os mercados internacionais mostram

Nas últimas sessões, os preços do petróleo Brent e do WTI apresentaram pequena valorização, impulsionados por riscos de oferta (como ataques a infraestrutura em algumas regiões produtoras) e por dados de estoques que sinalizaram desalinhamentos temporários entre oferta e demanda. Essas oscilações têm mantido o barril em patamares médios (na faixa dos US$ 63–68 por barril nas cotações recentes), ou seja, não há hoje um choque de alta tão pronunciado quanto em crises anteriores, mas existe um viés de alta pontual por riscos geopolíticos.

O efeito câmbio: real mais forte ajuda a mitigar pressões

No caso brasileiro, o câmbio tem atuado numa direção favorável ao consumidor: o dólar passou por um período de enfraquecimento frente ao real nas últimas semanas (queda de cerca de 1–3% em horizontes curtíssimos, segundo séries recentes), o que torna mais barato o custo em reais de combustíveis cotados em dólar e, por consequência, reduz a pressão de alta trazida por uma eventual elevação do preço do barril. Em termos simples: se o barril sobe 2% e o real se valoriza 2%, o efeito cambial corta boa parte do impacto final em reais. Onde era necessário R$ 6,15 para comprar 1 dolar início de 2025 agora com apenas R$ 5,30 se compra o mesmo dolar, isso faz com que as importações de combustíveis sejam mais baratas.

Quando olhamos em 15 de Janeiro como exemplo os preços de Janeiro de 2025 do Petróleo Bruto US$ 83,05  e o câmbio estava R$ 6,01 no mesmo dia temos o preço por barril no início do ano em R$ 499,13 e hoje dia 16 de Setembro de 2025 o mesmo Petróleo Bruto está US$ 67,04 e o cambio em R$ 5,30 tornando o preço do barril em reais em R$ 355,31, queda de 28% na conversão.
O etanol, que em muitas regiões do Brasil funciona como alternativa para reduzir o impacto do aumento da gasolina, em Porto Velho acaba não exercendo esse papel de forma efetiva. Isso porque o biocombustível chega com preços elevados em comparação ao Sul e Sudeste do país, principalmente em razão dos altos custos logísticos para o transporte até Rondônia. Assim, mesmo sendo um bem substituto teórico — ou seja, um produto que poderia competir e pressionar para baixo o preço da gasolina —, na prática, a diferença de valores reduz o incentivo econômico para que os motoristas façam a troca, limitando a concorrência no mercado local.

Etanol não serve.

O etanol, que em muitas regiões do Brasil funciona como alternativa para reduzir o impacto do aumento da gasolina, em Porto Velho acaba não exercendo esse papel de forma efetiva. Isso porque o biocombustível chega com preços elevados em comparação ao Sul e Sudeste do país, principalmente em razão dos altos custos logísticos para o transporte até Rondônia. Assim, mesmo sendo um bem substituto teórico — ou seja, um produto que poderia competir e pressionar para baixo o preço da gasolina —, na prática, a diferença de valores reduz o incentivo econômico para que os motoristas façam a troca, limitando a concorrência no mercado local.

Outra medida que buscou reduzir o preço na bomba foi a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 30% (sim, agora temos 30% de etanol anidro na gasolina), aprovada no novo marco regulatório dos biocombustíveis. A intenção é diminuir a dependência direta do derivado do petróleo e ampliar a presença de uma fonte renovável e, em tese, mais barata na composição final e gera menor rendimento dos motores. 

O que pode justificar essa elevação? 

A disparada do preço da gasolina em Porto Velho levanta suspeitas sobre o que realmente está acontecendo no mercado local. Sem mudanças de ICMS e sem explicações logísticas que justifiquem um salto de mais de R$ 1 em apenas uma semana fica o questionamento. 
Se o preço internacional caiu, se o cambio valorizou, para onde vai esse R$ 1,00 por litro? 
Será uma espécie de “efeito manada” entre os postos, onde um sobe o preço e os demais acabam acompanhando; ou ainda de estratégias locais para ampliar a margem de lucro.
Indpendente de qual for, somos nós Porto Velhenses que sentimos no bolso.