A Polícia Civil de Rondônia afirmou nesta segunda-feira (9) que não existia relacionamento amoroso entre a professora de Direito Penal Juliana Mattos de Lima Santiago, de 41 anos, e o aluno de 24 anos investigado por matá-la dentro de uma faculdade particular na zona Sul de Porto Velho.
Durante coletiva de imprensa, a delegada Leisaloma Carvalho, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), disse que a hipótese de envolvimento entre vítima e suspeito foi descartada com base nas provas reunidas até o momento. Segundo ela, as investigações indicam que o crime foi motivado por frustração e inconformismo diante da rejeição.
O homicídio ocorreu na sexta-feira (7), após o término da aula. O estudante foi preso em flagrante nas dependências da instituição de ensino. Em audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva. O inquérito deve ser concluído no prazo de 10 dias.
De acordo com a polícia, no momento da prisão o investigado afirmou a policiais militares que mantinha um relacionamento com a professora e que teria agido por ciúmes. Já no interrogatório formal, realizado na Central de Flagrantes, ele exerceu o direito de permanecer em silêncio, acompanhado por advogado.
As diligências realizadas ao longo do fim de semana, incluindo coleta de depoimentos, análise de mensagens e levantamento de dados técnicos, apontaram que a professora não teve qualquer relação íntima com o aluno. Conforme a delegada, há indícios de que o suspeito tentou, por diversas vezes, se aproximar da docente além do ambiente acadêmico, mas teve as investidas recusadas.
A investigação também apurou que a professora teria deixado claro que esse tipo de aproximação era inadequado e proibido pelas normas da instituição, podendo inclusive gerar sanções administrativas.
Outro ponto descartado pela polícia foi a versão de que o crime teria sido motivado por eventual reprovação ou nota baixa. O boletim acadêmico do aluno foi anexado ao inquérito e, segundo a delegada, não há registro de prejuízo escolar que justificasse essa hipótese.
Ainda conforme a Polícia Civil, mensagens enviadas pelo investigado após a publicação de uma foto da professora ao lado do namorado indicariam ciúmes e insatisfação. Para a autoridade policial, o conjunto de provas aponta que o crime foi praticado após o suspeito não aceitar a autonomia da vítima em dizer “não”.
A hipótese de premeditação não está descartada e segue sob análise. Imagens de câmeras de segurança da faculdade e do entorno estão sendo examinadas para reconstituir a dinâmica dos fatos.
A delegada ressaltou que, para a caracterização de feminicídio, não é necessário que exista relacionamento entre autor e vítima. O enquadramento pode ocorrer quando o crime é motivado por menosprezo à condição de mulher ou por sentimento de posse.
A Polícia Civil informou que continua realizando oitivas e reunindo elementos probatórios para encaminhar o inquérito ao Ministério Público dentro do prazo legal. O caso gerou forte repercussão e mobilizou manifestações por justiça nas redes sociais e na comunidade acadêmica.