Polícia CONFLITO FUNDIÁRIO
Polícia Civil deflagra operação contra grupo investigado por invasão de fazenda e crimes ambientais em Rondônia
Mandados foram cumpridos em sete municípios; investigação aponta ocupação irregular da área desde 2021 e suspeita de venda ilegal de lotes
17/07/2026 07h43
Por: Redação Fonte: Polícia Civil RO
Diego Maia

A Polícia Civil de Rondônia deflagrou, na manhã desta sexta-feira (17), a Operação "Capão da Onça", que tem como alvo um grupo investigado por invasão de propriedade rural, organização criminosa e crimes ambientais. A ação ocorreu em diferentes municípios do estado para cumprir mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

De acordo com as investigações conduzidas pela 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO2), o grupo é suspeito de ocupar irregularmente uma fazenda particular localizada em Nova Brasilândia D'Oeste desde 2021. Mesmo após decisões judiciais determinando a reintegração de posse, os investigados teriam permanecido na área.

Segundo a Polícia Civil, os suspeitos atuariam de forma organizada, utilizando uma associação de produtores rurais como fachada para manter a ocupação. As investigações apontam ainda que havia divisão de tarefas entre os integrantes, incluindo vigilância armada da propriedade, recrutamento de novos ocupantes e comercialização irregular de lotes.

Além das suspeitas relacionadas ao conflito fundiário, a apuração identificou indícios de crimes ambientais, como desmatamento de vegetação nativa, intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e extração ilegal de produtos florestais.

Por determinação da 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão contra 17 pessoas investigadas e uma pessoa jurídica apontada como possível suporte às atividades do grupo. As diligências ocorreram nos municípios de Nova Brasilândia D'Oeste, Urupá, Cacoal, Ji-Paraná, Alvorada do Oeste, Rolim de Moura e Castanheiras.

Durante a operação, as equipes buscaram apreender documentos ligados à ocupação da área e à suposta venda irregular de terrenos, além de aparelhos eletrônicos, armas de fogo, munições, dinheiro em espécie e outros materiais que possam contribuir para o andamento das investigações.

A operação contou com o apoio da CORE, da Polícia Militar, por meio do BPM e do BOPE, além da Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec) e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), responsável pelo suporte técnico na apuração dos crimes ambientais.

As investigações seguem em andamento, e os fatos ainda serão analisados no decorrer do processo. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou o balanço de materiais apreendidos ou eventuais prisões decorrentes da operação.