Saúde SEGURANÇA NO TRABALH
Brasil registra mais de 1,8 milhão de acidentes de trabalho desde 2023; média supera 1,4 mil casos por dia
O levantamento mostra que, desde o início de 2023, o país registra uma média mensal superior a 45 mil acidentes.
29/07/2026 13h30
Por: Redação
ILUSTRAÇÃO

O Brasil contabilizou mais de 1,8 milhão de acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026, segundo dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, plataforma que reúne informações oficiais do governo federal. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, foram registrados mais de 222 mil acidentes, o equivalente a uma média de 1.471 ocorrências por dia, acendendo um alerta para a necessidade de reforçar medidas de prevenção nos ambientes de trabalho. 

O levantamento mostra que, desde o início de 2023, o país registra uma média mensal superior a 45 mil acidentes. Os números incluem ocorrências típicas, acidentes de trajeto e casos relacionados a doenças ocupacionais notificadas pelos sistemas oficiais. 

Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que 2025 foi o ano com o maior número de acidentes da série histórica recente, com 806.011 registros e 3.644 mortes relacionadas ao trabalho. Em comparação com 2020, período marcado pela retração das atividades econômicas durante a pandemia, houve aumento de 65,8% no número de acidentes e de 60,8% nas mortes. 

Especialistas destacam que o crescimento acompanha a retomada do mercado de trabalho formal, mas ressaltam que o cenário evidencia a necessidade de investimentos contínuos em segurança, treinamentos, fiscalização e cumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs), que estabelecem regras para a proteção dos trabalhadores em diferentes atividades econômicas. 

Além do impacto humano, os acidentes também geram prejuízos econômicos significativos. De acordo com o Ministério do Trabalho, o país acumula centenas de milhões de dias de trabalho perdidos em razão de afastamentos temporários, incapacidades permanentes e mortes decorrentes de acidentes laborais. Apenas no período analisado pelo governo, os dias debitados chegam a 248,8 milhões, refletindo os impactos para trabalhadores, empresas e para a Previdência Social. 

Entre as principais causas estão falhas no uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), ausência de treinamentos, máquinas sem proteção adequada, quedas, transporte de cargas e exposição a agentes químicos, físicos e biológicos, conforme apontam levantamentos da área de segurança do trabalho. 

Os dados reforçam a importância da prevenção e da adoção de políticas permanentes de saúde e segurança no ambiente laboral, especialmente em setores considerados de maior risco, como construção civil, transporte, indústria e atividades rurais.