
Em um discurso marcado pela indignação e pelo peso de quem conhece na pele a realidade das localidades mais afastadas da capital, a vereadora Sofia Andrade (PL) utilizou a tribuna para cobrar providências imediatas do Executivo Municipal. O foco da parlamentar foram os problemas crônicos que assolam os distritos, especialmente no que diz respeito à recente troca da empresa de coleta de lixo e à precariedade do transporte escolar.
CAOS NO LIXO
Sofia não escondeu o espanto com a forma repentina como a transição do serviço de limpeza urbana aconteceu no município. Segundo a vereadora, após longos debates e imbróglios envolvendo a empresa anterior, a substituição ocorreu "da noite para o dia", sem a devida transparência para a sociedade e para o Legislativo.
O resultado dessa mudança, segundo denúncias recebidas por seu gabinete, é o acúmulo de detritos em localidades como Extrema, Fortaleza do Abunã e Jaci-Paraná. "Estou surpresa de estar recebendo denúncia de distritos sem o recolhimento do lixo. Estou fazendo as denúncias formais e levarei até a Secretaria Municipal para que providências sejam tomadas. Eu cresci no distrito e estou cansada de ver os moradores serem esquecidos", desabafou a parlamentar.
EDUCAÇÃO EM “XEQUE”: Ônibus Parados e Estradas por Conta Própria
A situação do transporte escolar foi o ponto mais sensível do pronunciamento. Sofia Andrade relatou o cenário alarmante em Rio Pardo e Minas Novas, onde moradores estão sendo obrigados a tirar dinheiro do próprio bolso para recuperar estradas, na tentativa desesperada de garantir que os filhos cheguem à sala de aula.
Com oito ônibus parados e uma fila de pedidos de providência sem resposta, a vereadora relembrou sua própria infância para ilustrar a gravidade do problema. "Eu sei a dor que eu estou falando. Quando eu era criança e o ônibus quebrava, eu ficava duas semanas sem aula. Como vamos transformar Porto Velho e olhar para o futuro se não damos condições para nossas crianças estudarem?", questionou.
A INEFICIÊNCIA DO PAPEL
Uma das críticas mais ácidas de Sofia foi direcionada à burocracia que não gera efeitos práticos. Para ela, os canais oficiais de comunicação entre a Câmara e a Prefeitura parecem ser ignorados, enquanto apenas a pressão das redes sociais surte efeito.
A vereadora afirmou que, se acumulasse todos os pedidos de providência feitos por ela, teria "quilômetros de papel" que não resultaram em melhorias. Segundo ela, há um ano e meio tenta buscar soluções através da conversa com o secretariado, mas afirma que "nada resolve". Sofia também destacou que a prefeitura muitas vezes só age quando um cidadão "desce o pau" na internet, ignorando o trabalho legal e fiscalizador dos vereadores.
Ao finalizar, Sofia Andrade reforçou que seu mandato será o escudo dos distritos e que não aceitará o silêncio da gestão municipal diante do abandono de quem vive longe do centro urbano. "Papel não resolve. O povo precisa de ação", concluiu.
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