
A gasolina vendida nos postos brasileiros passará por uma nova mudança a partir de 1º de agosto de 2026. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que deixa de ser E30 e passa a ser E32, ou seja, com 32% de etanol e 68% de gasolina fóssil.
A medida terá validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada pelo mesmo período. Segundo o governo federal, o objetivo é reduzir a dependência de gasolina importada, ampliar o uso de biocombustíveis e conter os impactos das oscilações do petróleo no mercado internacional.
O que muda para o motorista
Na prática, o combustível comum passará a ter uma proporção maior de etanol. O Ministério de Minas e Energia estima uma redução de cerca de R$ 0,03 por litro no preço da gasolina na bomba.
Especialistas apontam que a mudança deve ser praticamente imperceptível para a maioria dos veículos flex e dos modelos mais modernos, que já foram projetados para operar com misturas elevadas de etanol. Testes apresentados ao governo indicaram desempenho semelhante ao observado com a mistura anterior.
Há risco para o motor?
A principal preocupação levantada por parte da indústria automotiva e de distribuidoras é o possível aumento do desgaste em componentes de veículos mais antigos ou menos adaptados a misturas com maior teor de etanol. O combustível possui características diferentes da gasolina pura, como maior poder solvente e maior absorção de água, o que exige atenção especial em sistemas de alimentação mais antigos.
Mesmo assim, o governo afirma que a decisão foi baseada em estudos técnicos e testes realizados em frotas experimentais antes da aprovação da nova composição.
Impacto na economia e no meio ambiente
Além da expectativa de um leve alívio no preço ao consumidor, a adoção da E32 deve reduzir em aproximadamente 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina, fortalecendo a produção nacional de etanol, tanto de cana-de-açúcar quanto de milho.
O Ministério de Minas e Energia também destaca que o aumento da participação dos biocombustíveis contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para o avanço da matriz energética renovável do país.
Mudança histórica
O Brasil já utiliza etanol misturado à gasolina desde a década de 1970. Nos últimos anos, a mistura obrigatória evoluiu de 25% (E25) para 27,5% (E27), depois para 30% (E30) em 2025 e agora chega a 32% (E32).
Com a nova regra, a gasolina comum comercializada em todo o território nacional terá a maior participação de etanol já adotada no país até o momento.
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